A Polícia Federal rejeitou o pedido de delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que está preso desde 4 de março por fraudes financeiras. Segundo fontes que acompanham o caso, a PF entendeu que a proposta apresentada não trouxe informações novas em relação ao que já havia sido apurado.
Apesar da recusa, as negociações continuam na Procuradoria-Geral da República. A PGR demonstrou interesse em prosseguir com a análise da colaboração premiada durante reunião com a defesa de Vorcaro, realizada em Brasília.
Três pontos concentram a negociação: os valores a serem ressarcidos, estimados em cerca de R$ 50 bilhões; a possibilidade de cumprimento de pena domiciliar até o julgamento; e o alcance político da delação. Há expectativa de que Vorcaro possa mencionar autoridades do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.
Nos últimos dias, Vorcaro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da PF, movimento interpretado como sinal de insatisfação da corporação com o teor de sua proposta. Investigadores apontam que o ex-banqueiro omitiu informações relevantes, como o envolvimento do senador Ciro Nogueira em supostas vantagens indevidas e negociações financeiras com o senador Flávio Bolsonaro.
A primeira versão da delação, entregue no início de maio à PF e à PGR, também foi considerada insuficiente. Entre os pontos ignorados por Vorcaro estavam uma emenda relacionada ao Fundo Garantidor de Crédito e a negociação de R$ 134 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, que envolveria transferência parcial dos valores.