A apresentação da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí, neste domingo, dia 15, levou ao Carnaval a disputa política prevista para ganhar força até outubro. O desfile, que trouxe homenagem ao presidente Lula e referências críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, gerou repercussão entre apoiadores e opositores, que discutem possível afronta à legislação eleitoral.
Os dias anteriores ao desfile foram marcados por disputas nas redes sociais e ações judiciais. A oposição tentou impedir a apresentação, enquanto parte dos aliados de Lula avaliou que a participação direta do presidente e da primeira-dama Janja poderia gerar questionamentos. O enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” foi mantido pela escola após entendimento de que o risco político seria assumido.
Durante o desfile, Janja decidiu não participar, enquanto Lula deixou o camarote para acompanhar parte da apresentação da pista. A decisão ocorreu diante de dúvidas sobre eventual prática de ilícitos eleitorais. Integrantes do governo também foram orientados a não desfilar para evitar questionamentos jurídicos.
A oposição reagiu com denúncias de possível crime eleitoral e pedidos de inelegibilidade do presidente. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticou a alegoria que representava um palhaço com tornozeleira eletrônica, associada a Jair Bolsonaro, afirmando: “Quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial e não opinião”. Nas redes, críticos afirmaram que Lula estaria tentando “roubar o Carnaval”.
A disputa deve continuar na Justiça. A oposição pretende apresentar novas ações, alegando propaganda eleitoral antecipada e questionando o uso de recursos públicos pela Acadêmicos de Niterói. O senador Sergio Moro classificou o caso como “algo inédito” e criticou o uso de verba pública, afirmando que seria “propaganda eleitoral antecipada”.