Prefeitos do interior do Ceará articulam um movimento para contestar o que consideram cachês excessivos cobrados por cantores e bandas de forró em apresentações financiadas pelo poder público. Gestores manifestaram publicamente, na quarta, dia 28, críticas aos valores e às negociações conduzidas pelas produtoras do setor, defendendo parâmetros para a definição dos preços.
O prefeito de Aratuba, Joerly, afirmou que os municípios precisam se unir para buscar melhores condições de contratação. Segundo ele, os valores são fixados pelos escritórios dos artistas sem abertura para negociação. Joerly sugeriu, inclusive, a suspensão temporária das contratações, apontando que eventuais gastos elevados podem comprometer outras áreas da administração municipal.“Eles tem os produtos deles e compra quem quer. Se você não quiser, tem outros município que queira. A conversa lá é assim.”
Em Uruoca, o prefeito Kennedy Aquino reforçou a importância dos eventos públicos para ampliar o acesso à cultura e estimular a economia local. Ele destacou, porém, que os valores atualmente praticados por algumas atrações tornam as contratações inviáveis. O gestor citou o Festival de Quadrilhas Juninas, que ocorre há duas décadas e atrai cerca de 150 mil visitantes, como exemplo de evento impactado pela alta dos cachês.
Os prefeitos defendem que, sem ajustes nos valores cobrados, a continuidade de eventos tradicionais pode ser comprometida, especialmente em municípios que dependem dessas atividades para movimentar a economia e fortalecer o calendário cultural.