O Ceará registrou 408 casos de homofobia e transfobia em 2025, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). O total representa aumento de quase 10% em relação a 2024. A maioria dos crimes ocorreu em residências particulares, vias públicas e ambientes virtuais. Dos registros, 317 são denúncias de homofobia e 91 de transfobia, conforme o Painel Dinâmico de Monitoramento da Violência LGBTfóbica do Ceará.
Entre as vítimas de homofobia, a maioria é composta por homens gays, enquanto mulheres lésbicas representam 17% dos casos e pessoas bissexuais, 6,6%. Na transfobia, mulheres trans concentram 38,5% das denúncias, seguidas por homens trans (17,6%) e travestis (9,9%). Segundo a SSPDS, os crimes vêm crescendo desde 2022.
Em 2025, 91 casos ocorreram em residências particulares. Para Silvinha Cavalleire, presidenta da União Nacional LGBT (Una LGBT), “A violência doméstica e familiar contra a população LGBT+ é muito forte […]”. Na internet, foram contabilizados 59 casos, e especialistas apontam desafios na investigação devido à falta de regulamentação das plataformas digitais.
A Delegacia de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou Orientação Sexual (Decrin) e a Secretaria da Diversidade (Sediv) foram procuradas para comentar os dados, mas não disponibilizaram porta-vozes. Especialistas destacam também o desconhecimento sobre a lei que equipara a LGBTfobia ao crime de racismo, vigente desde 2019.
Autoridades e ativistas afirmam que campanhas informativas e registros mais precisos podem ter contribuído para o aumento das denúncias. Mesmo assim, apontam desafios na investigação de casos graves, como homicídios contra mulheres trans e travestis. Cidadãos podem denunciar LGBTfobia em delegacias especializadas e centros de referência em Fortaleza.