Os países da União Europeia aprovaram provisoriamente nesta sexta, dia 9, o acordo comercial com o Mercosul, segundo diplomatas ouvidos pelas agências France Presse e Reuters. A aprovação ainda depende do envio das confirmações por escrito até as 17h no horário de Bruxelas (13h no Brasil).
A sinalização favorável abre caminho para a assinatura do tratado, que é negociado desde 1999. O acordo conta com apoio de setores empresariais, mas enfrenta resistência de agricultores europeus, especialmente na França. Com o aval, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar o documento na próxima segunda-feira (12), no Paraguai.
O texto prevê ampliação do acesso ao mercado europeu, que reúne cerca de 451 milhões de consumidores, e abrange setores além do agronegócio, envolvendo também segmentos industriais do Mercosul. A votação favorável ocorreu apesar da oposição da França, Irlanda e outros países que manifestam preocupação com impactos no setor agrícola.
Para avançar, o acordo precisava do apoio de pelo menos 15 dos 27 Estados-membros que representassem 65% da população do bloco, critério atingido na reunião dos embaixadores em Bruxelas. A Itália teve papel decisivo após sinalizar que poderia apoiar o tratado, condicionando sua posição à incorporação de demandas de seu setor agrícola.
Nos últimos dias, a Comissão Europeia comunicou proposta de acelerar a liberação de 45 bilhões de euros destinados a agricultores, medida considerada pelo governo italiano como positiva. O tratado prevê redução gradual de tarifas de importação e exportação e estabelece regras para comércio industrial, agrícola, investimentos e padrões regulatórios.