O jovem “Gerson de Melo Machado, morto por uma leoa” escreveu uma carta de Natal em que relatou o desejo de receber a visita da mãe e conquistar um emprego. O texto, elaborado há alguns anos, foi divulgado nas redes sociais pela conselheira tutelar Verônica Oliveira, que acompanhou o rapaz por anos em João Pessoa.
Gerson nasceu em Mangabeira, bairro mais populoso da capital paraibana. Ele passou por tratamentos psiquiátricos dos 7 aos 18 anos, segundo registros oficiais, e viveu em espaços de ressocialização, acumulando 16 passagens policiais por crimes diversos. Na semana anterior à morte, a Justiça havia determinado encaminhamento urgente para tratamento psiquiátrico e solicitado a liberação de aposentadoria por incapacidade.
O jovem, de 19 anos, morreu em 30 de novembro após entrar no recinto de uma leoa no Parque Arruda Câmara, conhecido como a Bica, em João Pessoa. Após o ocorrido, o parque permaneceu fechado por mais de duas semanas para revisão de estruturas e protocolos.
A prefeitura informou que o Parque da Bica reabriu nesta quinta-feira (18) com novas regras de segurança, limite de visitantes, reforço na vigilância e monitoramento por câmeras com inteligência artificial. Entre as medidas estão o reforço de grades, restrições ao uso de celulares em áreas sensíveis e proibição de balões. Equipes também foram capacitadas para identificar e encaminhar pessoas em situação de vulnerabilidade psíquica.
Na carta intitulada “Desejo do Coração”, escrita para uma professora do Centro Educacional do Adolescente, ele mencionou a busca por “uma grande felicidade que nunca tive”, o desejo de receber carinho da mãe e o sonho de trabalhar na polícia ambiental ou como veterinário. Ele agradeceu pelo apoio recebido no centro, citando professores, agentes, diretores, advogado e juíza.
