A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a primeira vacina nacional contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan. Segundo a agência, o parecer favorável marca a etapa final de pesquisas e investimentos que contaram com apoio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “A grande novidade agora é termos uma vacina 100% nacional que nos permitirá definir uma estratégia para todo o país de proteção da nossa população”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Com a conclusão dessa fase, o Ministério da Saúde fará a inclusão do imunizante no calendário nacional de vacinação, com oferta exclusiva pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A expectativa é ampliar o acesso ao imunizante em 2026, conforme a capacidade produtiva do Instituto Butantan. Na próxima semana, o tema será levado a um comitê do SUS para definição da estratégia de vacinação e dos públicos prioritários.
A nova vacina utiliza tecnologia de vírus vivo atenuado e apresentou eficácia global de 74,7% contra dengue sintomática na população de 12 a 59 anos, além de 89% de proteção contra formas graves da doença, conforme publicação na The Lancet Infectious Diseases. A indicação inicial é para pessoas entre 12 e 59 anos, podendo ser ampliada após novos estudos.
Entre os investimentos, o Ministério da Saúde destina mais de R$ 10 bilhões anuais ao Instituto Butantan e R$ 1,2 bilhão específico para expansão da estrutura de produção da vacina, por meio do Novo PAC Saúde. O BNDES apoiou etapas de pesquisa e infraestrutura, incluindo R$ 97,2 milhões em 2017 para ensaios clínicos e construção de planta de escalonamento. Desde o início da estratégia de vacinação com imunizantes importados, mais de 7,4 milhões de doses foram aplicadas no país.
O Ministério também destacou a cooperação internacional com a empresa chinesa WuXi Vaccines, parceira do Butantan na produção em larga escala. A aprovação ocorre em cenário de queda de 75% nos casos de dengue em 2025, embora o país tenha registrado 1,6 milhão de casos prováveis até outubro. Em relação a óbitos, houve redução de 72% no período, com São Paulo concentrando a maior parte das mortes.