A Alemanha deve se tornar o primeiro país a comprar hidrogênio verde (H2V) produzido no Ceará, segundo afirmou o diretor comercial do Complexo do Pecém (Cipp SA), André Magalhães. O executivo destacou que o país europeu demonstra grande interesse no combustível limpo, com a expectativa de que ministros e autoridades alemãs visitem o Ceará em breve. “A Alemanha está com uma fome total […] Ouso dizer que será o primeiro cliente a comprar nosso hidrogênio verde”, declarou em entrevista ao jornal O POVO.
Magalhães afirmou que a infraestrutura para a produção e exportação do H2V segue em expansão. Durante visita recente a Roterdã, o diretor observou obras para instalação de dutos de hidrogênio e amônia, reforçando a preparação da Europa para receber o produto. O Porto de Roterdã, que detém 30% de participação no Porto do Pecém, já possui contrato para comprar 25% da produção cearense e será o ponto de distribuição do combustível para o continente europeu.
O diretor também reforçou a confiança no potencial do hidrogênio verde, apesar das críticas de especialistas do setor energético. “Eu tenho zero dúvidas sobre o hidrogênio verde. Se tivesse tudo pronto hoje, já teríamos clientes”, afirmou. Ele citou ainda o SAF (combustível sustentável da aviação), a amônia e o metanol como subprodutos com alta demanda no mercado internacional.
Atualmente, o Ceará lidera o país em número de projetos voltados ao H2V, com 38 memorandos de entendimento assinados. Desses, sete já possuem pré-contratos com o governo, e dois devem confirmar investimentos até 2026. A infraestrutura necessária para o escoamento da amônia verde segue em construção, abrangendo redes de dutos, tanques de armazenamento e estruturas no Píer 2 do Porto do Pecém, em uma área de cerca de 11,6 hectares.