O governo da Venezuela decidiu nesta sexta, dia 25, retomar a cobrança de tarifas de importação sobre produtos brasileiros, com alíquotas que chegam a 77%, contrariando o Acordo de Complementação Econômica nº 69 (ACE 69), firmado em 2014. O pacto previa a eliminação gradual de impostos entre os dois países, principalmente em mercadorias com certificado de origem. A medida afeta itens como farinha, margarina, cacau e cana-de-açúcar, e ainda não foi oficialmente comunicada a Brasília.
Segundo relatos de empresários brasileiros, desde o dia 17 de julho o sistema venezuelano tem rejeitado certificados de origem, impossibilitando o despacho aduaneiro dos produtos. Na tentativa de resolver a situação, a Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio de Roraima enviou uma carta à Embaixada do Brasil em Caracas, solicitando intermediação diplomática junto ao governo de Nicolás Maduro.
Em nota, a embaixada informou que está buscando esclarecimentos com as autoridades locais, com o objetivo de restaurar a normalidade no comércio bilateral. Aproximadamente 70% da movimentação comercial entre os dois países passa por Roraima, o que eleva a preocupação com o impacto regional da medida.
Além do Brasil, outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, também podem ser afetados, já que possuem acordos similares com a Venezuela. Vale lembrar que o país foi suspenso do bloco em 2016 por ruptura da ordem democrática, segundo decisão dos membros do grupo.
Atualmente, o Brasil mantém superávit comercial com a Venezuela. Em 2024, as exportações somaram US$ 1,2 bilhão, com destaque para açúcar, arroz e milho. Já as importações ficaram em US$ 422 milhões, com foco em alumínio, fertilizantes e produtos químicos. A recente decisão ocorre em um cenário de tensão entre os dois países, agravado desde a reeleição contestada de Maduro e o veto brasileiro à entrada da Venezuela no Brics