Uma entrevista divulgada nesta segunda, dia 29, pela imprensa brasileira apresentou a avaliação do ex-embaixador dos Estados Unidos no Panamá, John Feeley, sobre a mudança na relação entre Donald Trump, presidente dos EUA, e Jair Bolsonaro. Segundo Feeley, Trump teria deixado de apoiar o ex-presidente brasileiro após passar a vê-lo como um “perdedor” diante da derrota eleitoral e da prisão no Brasil.
Feeley afirmou que essa percepção pessoal de Trump foi determinante para a alteração de postura do governo americano. De acordo com ele, “assim que Bolsonaro perdeu, ou seja, assim que foi condenado e preso, Donald Trump o viu como um perdedor – e se há algo que Donald Trump não tolera são perdedores”.
O diplomata também afirmou que Trump não teria uma compreensão detalhada dos assuntos internos do Brasil. “Posso quase garantir que ele não acorda todos os dias pensando no Brasil”, disse Feeley ao comentar a atenção limitada do republicano à política brasileira.
Segundo o ex-embaixador, algumas ações adotadas por Trump contra o Brasil, como tarifas sobre produtos agrícolas e sanções a autoridades vinculadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), foram motivadas por fatores de política interna dos EUA e por lobbies. Essas medidas foram posteriormente revistas e suspensas, o que, na visão de Feeley, ocorreu devido à mudança de humor do presidente americano em relação ao ex-aliado.
Feeley declarou ainda que Trump é “extremamente imprevisível e narcisista”, o que, segundo ele, dificulta negociações contínuas entre lideranças políticas. Para o diplomata, os resultados das tratativas recentes entre Brasil e Estados Unidos podem ser entendidos como fruto de circunstâncias conjunturais.