O surto recente de vírus Nipah em Bengala Ocidental, na Índia, reacendeu preocupações globais devido à alta letalidade da infecção, que pode chegar a 75%. Embora o tema desperte medo — especialmente após a pandemia de covid-19 — especialistas afirmam que o risco de o vírus chegar ao Brasil é baixo.
O Nipah é um vírus zoonótico, transmitido principalmente por morcegos frugívoros do gênero Pteropus, comuns no sudeste asiático. A infecção também pode ocorrer por alimentos contaminados ou pelo contato direto entre pessoas. Identificado pela primeira vez em 1999, o vírus tem histórico de surtos anuais em Bangladesh e voltou a circular na Índia em 2026, com cinco casos confirmados e cerca de 100 pessoas em quarentena.
Os sintomas iniciais são semelhantes aos de outras viroses, como febre, dor de cabeça, náusea e dor de garganta. Após 48 horas, alguns pacientes podem evoluir para alterações de consciência e encefalite aguda, quadro inflamatório que pode levar ao coma. A incubação varia de 4 a 14 dias, podendo chegar a 45 dias.
Segundo o infectologista Alberto Chebabo, a possibilidade de o vírus chegar ao Brasil existe, mas é pequena, pois a transmissão não ocorre com a mesma facilidade da covid-19. Ele explica que vírus altamente letais tendem a se disseminar menos. A pediatra Cecilia Gama destaca que, apesar do risco reduzido, a vigilância internacional é essencial diante do fluxo global de viagens.
O diagnóstico é feito por PCR específico para Nipah, disponível apenas em laboratórios vinculados ao Ministério da Saúde e a órgãos internacionais. Não há tratamento ou vacina; o manejo é de suporte, com internação, controle das complicações e isolamento rigoroso. A OMS considera o Nipah uma doença prioritária para pesquisa e desenvolvimento.