No encontro entre o que é essencial e o que é criativo, o saneamento no Ceará ganha novas formas de ser percebido. O que antes era visto apenas como infraestrutura, hoje também desfila como ideia, estética, inclusão e consciência ambiental.
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O lançamento da coleção Mosaico inaugurou uma nova era dentro do programa Reciclocidades. O trabalho realizado com a parceria do estilista cearense Kallil Nepomuceno, com apoio do designer Érico Gondim, virou símbolo da potência criativa das artesãs da Cagece. O brilho do desfile, realizado em dezembro de 2024, no Complexo Cultural Estação das Artes, em Fortaleza, segue iluminando novos caminhos e mostrando que o saneamento é o básico que nunca sai de moda.
Neste ano de 2025, os figurinos criados a partir de materiais recicláveis estarão nas passarelas do Circuito Nacional Fashion Week (CNFW) em nove estados brasileiros, além do Ceará e Distrito Federal (Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins). A repercussão que ecoa além da estreia é de alcance internacional. A Cagece e o estilista Kallil receberam um convite para desfilar a coleção Mosaico em uma das maiores semanas de moda da Colômbia, a Santander Fashion Week.
“Tem sido um combo de emoções. É empolgante e até assustador pela dimensão que está tomando. A gente segue fortalecendo o nome da Cagece e do Reciclocidades ao trabalhar com artistas cearenses de renome. Essa parceria com Kallil e Érico tem nos ajudado a impulsionar grandes ideias”, afirma Samara Silveira, coordenadora de Responsabilidade Social da Cagece.
A coleção Mosaico trouxe um olhar com relação à necessidade de uma moda mais responsável, considerando que a indústria têxtil é uma das grandes consumidoras de água e a segunda mais poluente do planeta. “É nosso compromisso alavancar propostas que trabalhem de forma adequada esse recurso natural e a preservação do meio ambiente”, ressalta Samara.
Nesse sentido, o trabalho que se exibe nas passarelas com a coleção Mosaico, além de revelar a beleza e o talento da equipe envolvida, é uma chamada urgente para a ação. A iniciativa aponta um caminho para uma melhor gestão de resíduos pelas grandes empresas da indústria têxtil e do saneamento.
Para o estilista Kallil Nepomuceno, a criação em parceria com o Reciclocidades foi um divisor de águas, que contribuiu com o despertar de uma consciência de que o saneamento possui uma relação direta com a moda.
“Estou muito motivado e feliz. O Reciclocidades é hoje minha família. Me sinto honrado com esse trabalho e espero que a gente ganhe projeções ainda maiores”, declara Kallil.
Sobre as expectativas para o circuito de desfiles nacionais, ele afirma: “tenho certeza que vai ser um sucesso. Estou inserindo também novos looks com material residual para que o desfile fique cada vez mais rico. Vamos gerar expectativas para as próximas oportunidades que virão”, conta.
O desfile da coleção Mosaico foi uma experiência inenarrável para a artesã Denise Maria Dantas, que faz parte do Reciclocidades desde 2015. “Foi tudo uma grande novidade. O Kallil nos motivou muito. O desfile foi um show e o meu trabalho eu vi desfilando, tá?!”, conta orgulhosa.
SANEAMENTO ALÉM DO ÓBVIO
O Reciclocidades é o elo da Cagece entre a preservação do meio ambiente e o cuidado com as pessoas. Ao utilizar a moda como ferramenta de comunicação e sensibilização para a sustentabilidade, o programa socioambiental que envolve reciclagem, artesanato e protagonismo feminino, passa a explorar novas possibilidades, fortalecendo a agenda positiva de impacto da companhia no estado do Ceará e destacando o saneamento como estrutura de transformação social.
“A intenção é ocupar lugares não óbvios, lugares da sociedade onde o saneamento não é visto. Queremos que a Cagece seja percebida para além da prestação dos serviços de água e esgoto, que a população perceba o trabalho social importante que uma companhia pública realiza dentro do estado”, afirma Lu Palhano, assistente de Sustentabilidade da Cagece.
Com orgulho, ela fala sobre o trabalho de responsabilidade socioambiental que a Cagece desenvolve no estado do Ceará, enquanto empresa pública comprometida com o bem-estar social e a preservação do meio ambiente. Uma atuação que hoje é referência para outras instituições.
“A Cagece há 15 anos, de forma pioneira, vem trabalhando com o programa Reciclocidades promovendo a inclusão de mulheres, geração de renda e sensibilização ambiental. Quando a gente bateu na porta de algumas empresas para fechar parcerias para esse projeto, todas ficaram impressionadas com o papel da companhia na sociedade. Isso deixa a gente muito satisfeito e, com isso, acabamos criando um ecossistema de cooperação que traz visibilidade para todos”, destaca Lu Palhano.
Conforme Samara Silveira, a Cagece é uma companhia que atua com projetos de responsabilidade social desde a década de 1990. “O corpo funcional da companhia foi criando, ao longo de anos, um processo de trabalho que de fato traz resultados para a sociedade”, acrescenta a coordenadora.
Design criativo
Ao longo de 2025, o Reciclocidades vai incorporar técnicas de design para aprimorar as criações artesanais e abrir novas possibilidades de renda e reconhecimento para as artesãs e os grupos produtivos. Este novo momento do programa contará com uma série de capacitações teóricas e práticas, que já foram iniciadas, com o designer de produtos Érico Gondim.
A proposta de sucesso para 2025 é criar peças de mobiliário a partir de resíduos gerados pela própria Cagece, conectando as comunidades assistidas pela companhia com o programa Reciclocidades. A iniciativa inovadora prevê uma exposição para o final deste ano. “A gente tá sendo assessorado por um grande nome. Isso traz uma grande confiança de que a gente vai conseguir desenvolver um bom trabalho como foi com o desfile no ano passado. Tá sendo um nível de aprendizado absurdo”, declara Samara Silveira.
Para Érico Gondim, trabalhar com as artesãs do programa socioambiental da Cagece é sentir que a sustentabilidade pode gerar grandes frutos a longo prazo. “O Reciclocidades já nasceu pra dar certo e com esse projeto lançamos as oportunidades de transformar as artesãs em agentes multiplicadores da criatividade”, afirma.
De acordo com ele, o design tem a potencialidade de planejar, projetar e repensar usos de materiais atualmente vistos como lixo, de mesclar fazeres e técnicas, de transformar atitudes e criar novos desejos em prol da qualidade de vida. “A ideia é pensar no resíduo de forma ampla e talvez única, reaproveitando e vendo novos usos sobre peças que não teriam mais função”, revela.
A conexão entre design e saneamento também o faz entender melhor a complexidade do setor que a Cagece faz parte. “O mais interessante é poder contribuir com esse processo de sensibilização através de um olhar criativo”, conclui o designer.
A imersão nas técnicas de design tem sido uma experiência transformadora também para as artesãs do Reciclocidades. As capacitações iniciaram com um processo teórico sobre pesquisa criativa, para na sequência trabalharem o aperfeiçoamento das técnicas já utilizadas pelo grupo, com a inserção de novos processos, como fusão com plástico reaproveitado, tecelagem, dentre outros.
“Eu nunca imaginei estar tão envolvida com o mundo da moda e da arte. Estamos descobrindo coisas novas com o Érico e com a certeza de que é uma experiência que vai somar muito ao nosso trabalho. Cada encontro tá sendo muito enriquecedor”, relata Carmen Lúcia de Jesus, artesã do Reciclocidades desde 2013.