Um estudo do Insper, em parceria com o Instituto Sonho Grande e o Instituto Natura, aponta que um em cada quatro jovens deixa de abandonar o ensino médio graças ao programa Pé-de-Meia, criado pelo governo federal em 2024, na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A pesquisa avaliou os possíveis impactos da política antes da consolidação de dados reais, com base em evidências já conhecidas sobre o efeito de bolsas estudantis.
Os resultados serão publicados no livro Bolsas de estudo e evasão: avaliação de impacto ex-ante, de autoria de Ricardo Paes de Barros, Laura Muller Machado, Samuel Franco e Laura de Abreu. O estudo estima que a taxa de evasão entre estudantes vulneráveis, atualmente em 26,4%, cairia para 19,9% com a implantação do programa.
O impacto varia entre estados. No Ceará, a taxa de evasão diminuiria em 10 pontos percentuais, o melhor resultado do país. No Paraná, a redução estimada é de 4,4 pontos. Os pesquisadores concluíram que o efeito tende a ser maior onde há maior vulnerabilidade familiar, mas não necessariamente nos locais que apresentam maiores índices de abandono.
Os especialistas afirmam que o aumento do valor das bolsas não eleva proporcionalmente a permanência dos alunos. O estudo sugere que uma redistribuição dos pagamentos, com maior peso no terceiro ano do ensino médio, poderia reduzir a evasão em quase um ponto adicional. Também recomenda que programas estaduais sobrepostos sejam reformulados para complementar o Pé-de-Meia.
Segundo os pesquisadores, a eficácia do programa depende também da qualidade da educação oferecida, já que o incentivo financeiro funciona como meio para manter os estudantes na escola, mas não substitui melhorias estruturais no ensino.