O vídeo de uma chamada entre Jair Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) durante ato em Belo Horizonte foi uma das provas citadas pelo ministro Alexandre de Moraes, para determinar a prisão domiciliar do ex-presidente nesta segunda-feira, dia 4. O parlamentar mostrou o rosto de Bolsonaro ao público e declarou: “Bolsonaro não pode falar, mas pode ver”. Para Moraes, a ação teve o objetivo de coagir o STF e interferir nas investigações em curso.
Outro elemento determinante foi a publicação feita por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e senador, nas redes sociais. No vídeo, o ex-presidente aparece se dirigindo aos manifestantes reunidos em Copacabana, no Rio de Janeiro, dizendo: “Boa tarde, Copacabana. Boa tarde, meu Brasil. Um abraço a todos. É pela nossa liberdade. Estamos juntos”. A postagem, que foi posteriormente deletada, descumpre a proibição de uso de redes sociais imposta a Bolsonaro.
Na decisão, Moraes enfatizou que o próprio fato de Flávio ter apagado o conteúdo revela a consciência da violação das cautelares. Ele apontou ainda o envolvimento dos outros filhos do ex-presidente, Carlos e Eduardo Bolsonaro, que teriam contribuído para reforçar o discurso contra o Supremo e impulsionar a mobilização de apoiadores.
Carlos Bolsonaro publicou uma foto do pai na rede social X (antigo Twitter), com pedido para seguirem o perfil de Jair, enquanto Eduardo teria feito falas direcionadas aos manifestantes, sugerindo uma ação coordenada para influenciar o julgamento da ação penal 2.668/DF, na qual o ex-presidente é réu por tentativa de golpe de Estado.
Segundo Moraes, Bolsonaro preparou previamente materiais para serem utilizados nos atos, com o intuito de burlar a Justiça e incentivar ataques ao STF. O ministro conclui que houve uma articulação deliberada da família Bolsonaro para descumprir as medidas judiciais, impulsionar protestos e tentar obstruir a Justiça.