A pobreza, a extrema pobreza e a desigualdade chegaram em 2024 aos menores níveis desde 1995, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado nesta terça-feira (25/11). O levantamento aponta ainda que a renda média mensal atingiu o maior patamar da série histórica, chegando a R$ 2.015 por pessoa.
Entre 1995 e 2024, a renda média cresceu quase 70%, enquanto o coeficiente de Gini recuou de 61,5 para 50,4. No mesmo período, a taxa de extrema pobreza caiu de 25% para menos de 5%. Segundo os pesquisadores Pedro Ferreira de Souza e Marcos Hecksher, os avanços ocorreram principalmente entre 2003 e 2014 e de 2021 a 2024, com interrupções durante crises econômicas e a pandemia.
Os pesquisadores identificaram que a melhora recente dos indicadores resultou de dois fatores principais: recuperação do mercado de trabalho e expansão dos programas de transferência de renda. De acordo com o estudo, as transferências tiveram maior peso específico na redução da extrema pobreza, especialmente após a ampliação do Bolsa Família, que em 2025 teve orçamento de R$ 158 bilhões.
Entre 2019 e 2024, os valores pagos pelo Bolsa Família e pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC) cresceram 135%, representando aumento de 1,2% para 2,3% do Produto Interno Bruto. O número de famílias beneficiárias passou de 13,8 milhões, em 2019, para cerca de 20 milhões no início de 2024, com redução posterior após revisão de cadastros.
O Ipea avalia que os resultados positivos podem perder ritmo nos próximos anos diante das limitações fiscais, mas destaca que a continuidade de políticas voltadas ao mercado de trabalho e às famílias de baixa renda será determinante para manter a trajetória de queda da pobreza e da desigualdade.