As mudanças climáticas têm provocado aumento na frequência e intensidade de temporais em diversas regiões do país, com destaque para o Nordeste. Esse cenário pressiona os sistemas de drenagem urbana, historicamente tratados como tema secundário nas políticas públicas. A avaliação é de Luciano Arruda, que aponta a necessidade de reposicionar a drenagem como eixo central do planejamento urbano.
Grande parte da infraestrutura existente foi projetada considerando padrões climáticos menos extremos. Com a intensificação das chuvas, muitos sistemas não conseguem absorver o volume de água, resultando em alagamentos, danos materiais, contaminação de corpos hídricos e riscos à saúde pública.
A drenagem urbana é apresentada como parte interdependente do saneamento básico. Estruturas insuficientes podem comprometer redes de esgoto, estações de tratamento e sistemas de captação, elevando custos operacionais e reduzindo a eficiência geral dos serviços. O especialista destaca que investir em drenagem também protege investimentos já feitos em abastecimento e esgotamento sanitário.
O crescimento urbano desordenado, a impermeabilização do solo e a ocupação de áreas de risco ampliam os efeitos das chuvas intensas. Nesse contexto, soluções baseadas na natureza — como jardins de chuva, parques lineares, áreas verdes e reservatórios de retenção — surgem como alternativas para reduzir o escoamento superficial e aumentar a resiliência das cidades.
Arruda aponta ainda que os recursos públicos são insuficientes para as demandas necessárias, indicando que Parcerias Público-Privadas e concessões podem contribuir para projetos estruturantes. Para ele, a drenagem deve ser tratada como política de adaptação climática, essencial para reduzir vulnerabilidades, evitar perdas econômicas e garantir a continuidade de serviços essenciais.