O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reabriu nesta quinta, o inquérito que apura a suposta interferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Polícia Federal (PF). O caso havia sido arquivado após pedido do ex-procurador-geral da República, Augusto Aras, com base na conclusão da PF de que não houve indícios de crimes.
A reabertura ocorre a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), apresentada na quarta, dia 15. Moraes determinou que o órgão se manifeste em até 15 dias. A PGR, sob o comando de Paulo Gonet, defende agora uma apuração mais ampla para verificar se houve interferências ou tentativas de interferência em investigações, com uso da estrutura do Estado e acesso a dados sensíveis.
O inquérito foi aberto em 2020, após declarações do então ministro da Justiça Sergio Moro (União-PR), que acusou Bolsonaro de tentar intervir em investigações envolvendo familiares. O ex-presidente negou as acusações e afirmou que buscava apenas proteger sua família.
Entre os episódios citados por Moro está a exoneração do ex-diretor-geral da PF, Mauricio Valeixo, e a reunião ministerial de 22 de abril de 2020, na qual Bolsonaro teria manifestado intenção de interferir na corporação. A nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da PF, feita após a saída de Moro, foi suspensa por Moraes sob suspeita de desvio de finalidade.
Com a reabertura, a PGR quer que a PF avalie eventuais conexões entre os fatos narrados por Moro e outras investigações sobre uma possível organização criminosa envolvida em ataques a autoridades, disseminação de fake news e uso indevido de órgãos de inteligência.