A Justiça do Rio de Janeiro determinou, nesta terça-feira (22), a prisão preventiva do rapper Mauro Davi Nepomuceno, conhecido como Oruam. A decisão foi tomada após o cantor ser indiciado por crimes como desacato, resistência qualificada, lesão corporal, ameaça e dano. O episódio ocorreu durante uma abordagem policial em sua casa, no bairro do Joá, Zona Oeste da capital, onde a Polícia Civil buscava apreender um adolescente investigado por associação ao tráfico. O jovem, apontado como segurança de um líder do Comando Vermelho, conseguiu fugir durante a ação.
Segundo a decisão judicial, a prisão preventiva foi decretada com base nos artigos 311 a 313 do Código de Processo Penal, para garantir a ordem pública e evitar a continuidade das condutas criminosas. A Justiça considerou que há indícios suficientes da autoria e da gravidade dos atos praticados, além do uso reiterado da residência de Oruam como abrigo de foragidos. Em nota, o Tribunal de Justiça afirmou que as atitudes do rapper, inclusive nas redes sociais, configuram incentivo à desobediência civil.
Durante a operação, segundo a Polícia Civil, Oruam e outras pessoas atiraram pedras e ameaçaram os agentes que tentavam apreender o adolescente. Um dos envolvidos alegou ser filho de Marcinho VP, apontado como um dos chefes do Comando Vermelho. Ainda segundo a polícia, esta é a segunda vez em seis meses que foragidos são encontrados na casa do cantor. Após o ocorrido, Oruam publicou vídeos desafiando a polícia e afirmando ser alvo de perseguição por ser “filho de bandido”.
O secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, classificou Oruam como “marginal da pior espécie” e disse que o artista será também indiciado por associação para o tráfico. A decisão da Justiça reforça que o comportamento do cantor demonstra intenção de se esquivar da aplicação da lei, sobretudo após ele se refugiar no Complexo da Penha e continuar publicando vídeos provocativos. Para o Ministério Público, a prisão é essencial para interromper a atuação do grupo e proteger a integridade da investigação.
Oruam, por sua vez, nega as acusações e afirma ter sido vítima de abuso de autoridade. Em nota, disse que só reagiu após ser ameaçado com armas de fogo e que policiais destruíram objetos de sua casa. O cantor também alega que seu produtor foi algemado sem justificativa e que nenhum material ilícito foi encontrado. A defesa do artista ainda não se manifestou oficialmente sobre a ordem de prisão.