Muitas vezes descoberto por acaso durante exames de rotina voltados para outras especialidades, o câncer de rim é o foco central da campanha mundial Junho Verde. Este mês, o Centro Regional Integrado de Oncologia (CRIO) engaja-se na iniciativa com o objetivo de conscientizar a população cearense sobre a importância do diagnóstico precoce e do controle dos fatores de risco, elementos que aumentam significativamente as chances de cura. O tumor renal figura entre os dez tipos de câncer mais comuns em todo o mundo. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a doença afeta majoritariamente adultos na faixa etária entre 50 e 70 anos, sendo duas vezes mais frequente em homens do que em mulheres, e o seu grande desafio reside justamente na evolução assintomática em fases iniciais.
O urologista do CRIO, Dr. Everaldo Moura, alerta que o câncer de rim é um inimigo extremamente silencioso. Segundo o especialista, na grande maioria dos casos o paciente não sente absolutamente nada no começo e o tumor acaba sendo descoberto por acaso, por meio de um achado incidental em uma ultrassonografia de abdômen ou tomografia solicitada por outro motivo. O médico ressalta que quando os sintomas clássicos, como sangue na urina, dor na região lombar ou uma massa palpável aparecem, geralmente significa que a doença já se encontra em um estágio mais avançado.
Embora predisposições genéticas e o histórico familiar tenham papel importante no desenvolvimento da doença, os hábitos de vida do cotidiano possuem um impacto direto no surgimento do tumor. Dr. Everaldo Moura aponta que existem três grandes fatores de risco modificáveis que a população deve combater ativamente. O tabagismo é um dos principais, uma vez que o hábito de fumar duplica o risco de desenvolvimento do tumor renal. Além disso, a obesidade provoca alterações metabólicas e hormonais que atuam como gatilho para as células cancerígenas, enquanto a hipertensão arterial crônica e sem o devido controle também eleva consideravelmente a probabilidade de registrar a patologia.
Atualmente, o CRIO dispõe de uma infraestrutura moderna e de uma equipe multidisciplinar para acolher e tratar os pacientes regulados no estado. O tratamento para o câncer de rim evoluiu nos últimos anos e varia de acordo com o estágio em que a doença é identificada. O urologista destaca que quando o diagnóstico é obtido em fase inicial, as chances de cura são muito elevadas, sendo a intervenção principal a cirurgia para a retirada parcial ou total do rim afetado, procedimento conhecido como nefrectomia. Já para os casos em que há metástase, o especialista explica que a medicina avançou muito com a chegada das terapias-alvo e da imunoterapia, permitindo que o paciente tenha mais longevidade e qualidade de vida durante o tratamento.