Escavações arqueológicas realizadas no quilombo Serra do Evaristo, no Maciço de Baturité (CE), encontraram urnas funerárias indígenas contendo dentes e ossos humanos. A pesquisa é coordenada pelo arqueólogo Vinícius Franco e pela professora Andrea Lessa, com apoio do Museu Nacional, Capes e National Geographic.
Desde março de 2025, cerca de dez urnas já foram localizadas, entre peças inteiras e fragmentos. Em duas delas, os pesquisadores identificaram restos humanos. O material será analisado no Instituto Tembetá, em Fortaleza, para tentar extrair informações como sexo, idade e datação. Parte das amostras também será enviada para análise nos Estados Unidos.
A pesquisa conta com participação ativa da comunidade quilombola. Seis jovens da Serra do Evaristo foram selecionados para trabalhar nas escavações, com direito a capacitação e bolsas. Além das urnas, fragmentos cerâmicos e objetos como lâminas de machado polidas continuam a emergir devido à erosão do solo.
Segundo o arqueólogo, o objetivo é compreender melhor a função do sítio arqueológico — se servia apenas para rituais fúnebres ou também como local de habitação. A equipe também busca dados que confirmem a presença da Tradição Aratu na região, importante para estudos sobre a ocupação pré-colonial no Brasil.
A primeira escavação, realizada em 2012, levou à criação do Museu Comunitário da Serra do Evaristo. O espaço abriga parte dos vestígios encontrados e vem se consolidando como ponto de referência educacional e cultural no Maciço de Baturité.