Em 30 anos Brasil perdeu 94% da população de jumentos

Dados apontam abate em larga escala e pressionam por ações legislativas e sustentáveis
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Foto: reprodução

Brasil perdeu 94% da população de jumentos desde 1999. Abate em frigoríficos autorizados atende à indústria de colágeno asiática. Dois projetos de lei buscam proibir o abate de jumentos no país. Evento internacional discute alternativas sustentáveis e campanha global contra o abate.

O Brasil perdeu 94% de sua população de jumentos nas últimas décadas, segundo dados da FAO, IBGE e Agrostat. Em 1999, o rebanho somava 1,37 milhão de animais, número que caiu para cerca de 78 mil em 2025. A redução está ligada, principalmente, ao abate para atender à demanda da indústria chinesa de ejiao, um suplemento produzido com colágeno retirado da pele dos animais.

Entre 2018 e 2024, 248 mil jumentos foram abatidos no país, de acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A Bahia concentra os três frigoríficos autorizados pelo Serviço de Inspeção Federal para esse tipo de atividade. Em resposta à situação, dois projetos de lei que visam proibir o abate de jumentos tramitam atualmente no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa da Bahia.

Para discutir soluções, acontece entre os dias 26 e 28 de junho, em Maceió (AL), o 3º Workshop Internacional – Jumentos do Brasil: Futuro Sustentável. O evento é promovido pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL) com apoio da ONG britânica The Donkey Sanctuary e marca o lançamento do relatório “Stolen Donkeys, Stolen Futures” e da campanha global Stop The Slaughter.

Especialistas alertam que a extinção do jumento nordestino, geneticamente adaptado ao semiárido, representa uma perda significativa para a biodiversidade e para as comunidades rurais. Propostas como a valorização do animal na agricultura familiar, sua preservação em liberdade ou como animal de companhia são apontadas como caminhos sustentáveis.

O Brasil também é pressionado por iniciativas internacionais. Em 2023, a União Africana aprovou uma moratória contra o abate de jumentos para exportação. Especialistas sugerem que o país adote alternativas tecnológicas como a fermentação de precisão para produção de colágeno sem uso animal, alinhando-se a práticas éticas globais.

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