O perfil das importações do Ceará provenientes da Ásia registrou expansão no início de 2026. Segundo dados do Comex Stat analisados pelo Diário do Nordeste, 92 novos produtos chineses que não haviam sido importados no primeiro bimestre de 2025 passaram a desembarcar no Estado entre janeiro e fevereiro deste ano.
Entre as mercadorias que estrearam na pauta estão automóveis de passageiros, que somaram mais de US$ 7,1 milhões, além de coques e semi coques de hulha, ácidos nucleicos, aparelhos de raios-X e máquinas pesadas como bulldozers e escavadoras. Também houve entrada de equipamentos médicos, tornos para metais, guindastes, vestuário, produtos hortícolas congelados e bens de consumo.
A análise comparativa entre 2025 e 2026 mostra crescimento significativo em algumas categorias. “Os compostos de função carboxiamida (…) apresentaram uma variação positiva de 1.704,7%”, enquanto teares e máquinas de costura industrial tiveram alta de 1.604,1%, e chapas e tiras de alumínio cresceram 1.577,8% no período.
Um dos fatores que impulsionaram o aumento das importações foi a consolidação da rota entre o Porto do Pecém e a Ásia, operada oficialmente desde abril de 2025. A conexão direta via Canal do Panamá reduziu o tempo de viagem para cerca de 40 dias e representou 15% do total de novas cargas movimentadas pelo terminal em 2025, contribuindo para o recorde anual de 706.509 TEUs.
Especialistas apontam que a nova dinâmica logística fortalece o papel do Ceará como hub industrial e de distribuição. Para João Mário de França, a rota “fortalece a posição do Ceará como um importante hub logístico e industrial”. A expectativa é de que a redução no tempo de chegada de insumos impacte setores como e-commerce, indústria automotiva e operações voltadas à Zona Franca de Manaus.