Mais de 400 mil pessoas deixaram a extrema pobreza no Ceará nos últimos três anos, conforme estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará. A pesquisa, apresentada durante seminário realizado em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, analisa dados da PNAD Contínua e compara os antigos e novos critérios da linha internacional de pobreza.
De acordo com o levantamento, entre 2023 e 2025, a renda real dos 10% mais pobres do estado cresceu mais de 40%, o que contribuiu para uma redução de 35% na proporção de pessoas em extrema pobreza. O estudo está detalhado no Enfoque Econômico nº 319 do Ipece. O governador Elmano de Freitas afirmou que “esse avanço é resultado de um trabalho integrado e de políticas públicas que cuidam das pessoas […]”.
A pesquisa destaca que, em 2025, o Banco Mundial atualizou o valor da linha internacional de extrema pobreza, que passou de US$ 2,15 para US$ 3 por dia. Mesmo com o aumento do limite, que eleva o número de pessoas enquadradas no critério, o Ceará manteve trajetória de queda no indicador desde 2012, com destaque para o período de 2022 a 2025.
Segundo o analista de Políticas Públicas Jimmy Oliveira, a renda dos mais pobres cresceu acima da média estadual, e o percentual de cearenses em extrema pobreza ficou abaixo de 10% pela primeira vez desde 2012, alcançando 9,4% em 2025. Nesse período, a renda dos 10% mais pobres passou de R$ 128 para R$ 180. Já os 10% mais ricos tiveram crescimento acumulado de 15,4% no triênio.
O diretor-geral do Ipece, Alfredo Pessoa, atribui os resultados ao aumento de transferências sociais e ao desempenho do mercado de trabalho. Ele cita a atuação conjunta de programas como o Bolsa Família e o “Ceará Sem Fome”, que reúne ações de transferência de renda e cozinhas solidárias em todo o estado.