Um estudo britânico divulgado nesta quinta, dia 8, aponta que a interrupção do uso de medicamentos da nova geração para emagrecimento leva a uma recuperação de peso quatro vezes mais rápida do que a observada após programas baseados em dieta e exercícios. A análise foi publicada na revista médica BMJ.
Os pesquisadores revisaram 37 estudos que investigaram a suspensão de diferentes tratamentos voltados ao emagrecimento. O levantamento mostrou que os participantes recuperavam, em média, 0,4 kg por mês após deixar os medicamentos. Parte dos estudos avaliou a semaglutida, presente no Ozempic e no Wegovy, e a tirzepatida, usada no Mounjaro.
Durante o uso dessas substâncias, os participantes perderam cerca de 15 kg, em média. Após a interrupção, recuperaram aproximadamente 10 kg em um ano, período mais longo de acompanhamento desses fármacos. A projeção dos pesquisadores indica retorno ao peso inicial em cerca de 18 meses. Indicadores cardiovasculares, como pressão arterial e colesterol, voltaram aos níveis anteriores em até um ano e quatro meses.
Já os participantes que seguiram programas de alimentação e atividade física perderam menos peso, porém levaram cerca de quatro anos para recuperá-lo. O estudo sugere que hábitos adquiridos nesses programas podem contribuir para uma recuperação mais lenta.
Os autores ressaltam que os medicamentos baseados em GLP-1 são uma ferramenta no tratamento da obesidade, considerada crônica e recorrente. Para especialistas, a manutenção desses tratamentos no longo prazo pode ser necessária, influenciando decisões de saúde pública sobre custo e acesso.