A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou nesta quarta, dia 6, que 2025 deve se tornar o segundo ou o terceiro ano mais quente já registrado, mantendo a tendência de aquecimento extremo da última década. O relatório, divulgado às vésperas da COP30, em Belém (PA), mostra que as concentrações de gases de efeito estufa e o calor nos oceanos atingiram níveis sem precedentes.
Segundo o documento, de janeiro a agosto deste ano, a temperatura média global ficou 1,42 °C acima da era pré-industrial, ligeiramente abaixo do recorde de 2024 (1,55 °C). “Essa sequência sem precedentes de altas temperaturas […] deixa claro que será praticamente impossível limitar o aquecimento global a 1,5 °C nos próximos anos sem ultrapassar temporariamente essa meta”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.
O relatório também foi citado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, durante a Cúpula dos Líderes, em Belém. “Em cada ano em que se ultrapassar o limiar de 1,5 °C, as economias serão severamente afetadas, as desigualdades se agravarão e ocorrerão danos irreversíveis”, disse. Ele defendeu ações rápidas e em larga escala para conter o aumento das temperaturas.
A OMM destaca ainda que o CO₂ atingiu 423,9 partes por milhão em 2024, o valor mais alto já registrado, enquanto o calor acumulado nos oceanos chegou ao maior nível da história. Para a agência, esses dados confirmam que o mundo segue fora do caminho para cumprir o Acordo de Paris, cuja meta é reduzir as emissões e limitar o aquecimento global a 1,5 °C até o fim do século.