O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda, dia 22, em coletiva na Casa Branca, que o uso de Tylenol e vacinas poderia estar associado ao autismo. Ele declarou que médicos serão orientados a restringir o uso de paracetamol por gestantes, mas não apresentou evidências científicas que sustentem a recomendação.
“Tomar Tylenol não é bom. Vou dizer, não é bom”, disse Trump. A Food and Drug Administration (FDA) deverá notificar médicos sobre um suposto risco de uso do medicamento na gravidez. O presidente também defendeu a leucovorina, um tipo de ácido fólico utilizado em tratamentos contra câncer, como possível terapia para sintomas de autismo.
A comunidade científica destaca que o autismo tem origem predominantemente genética e que não há comprovação de vínculo entre vacinas, paracetamol e a condição. Em nota, a organização Autistas Brasil repudiou as falas de Trump e afirmou que elas representam um “projeto político contra pessoas autistas”.
“Até o momento, não há ensaios clínicos randomizados, metanálises robustas ou grandes estudos populacionais que apontem uma relação real. O que vemos é uma estratégia deliberada de transformar nossa condição em um mal a ser combatido”, afirmou o vice-presidente da entidade, Arthur Ataide Ferreira Garcia.
Pesquisadores apontam que estudos sobre a relação entre paracetamol e autismo são inconclusivos. O psiquiatra infantil Guilherme Polanczyk, da Universidade de São Paulo (USP), explica que associações observadas em pesquisas menores não provam relação de causa e efeito.